Acelerar a digitalização da economia nacional para assegurar a convergência europeia

Está em curso a consolidação do primeiro capítulo da 3.ª Plataforma Tecnológica, um termo cunhado pela IDC e que corresponde fundamentalmente às tecnologias cloud, mobilidade, social business e big data, suportados pelos Aceleradores de Inovação, soluções assentes em IoT, Inteligência Artificial, impressão 3D, novas interfaces humanas e digitais, robótica e blockchain. Estas tecnologias estão na génese dos processos de transformação digital que, de forma mais ou menos avançada, estão a impactar todos os setores de atividade.

O movimento de mudança e de transição para uma economia digitalizada é inexorável, e é essencial criar as condições para a sua continuação e aceleração. É expectável que, em 2021, pelo menos 30% da economia nacional já esteja digitalizada, impulsionada pelas novas ofertas digitais, pela digitalização das operações e das cadeias de valor, assim como dos canais e respetivos processos de relacionamento com clientes. Em termos da economia global, a IDC prevê que mais de 50% esteja digitalizada em 2021. Começando agora, é possível a Portugal reduzir este diferencial previsto para dentro de três anos. Estas são algumas das principais conclusões do CxO Forum, um encontro anual organizado pela IDC e que visa criar um espaço único de partilha e debate sobre as necessidades sentidas pelas organizações para responderem aos desafios dos seus respetivos negócios, assim como às soluções tecnológicas que têm vindo a ser desenvolvidas para os apoiar.

Um ponto positivo para o País é o facto de esta já ser uma realidade importante para os gestores nacionais. Com base num recente estudo da IDC, verificamos que grande parte dos decisores nacionais já considera as tecnologias da 3.ª Plataforma Tecnológica e os Aceleradores de Inovação críticos para a competitividade das suas organizações, tendo a sua relevância associada ao maior ou menor nível de maturidade e disponibilidade alargada das tecnologias subjacentes, a exemplo dos seus congéneres internacionais.

Enquanto prossegue a inevitável caminhada para que as empresas se tornem nativas digitais, muitas destas organizações serão inteiramente repensadas e reconstruídas à imagem deste novo paradigma. Em cada caso, a sua sobrevivência depende da capacidade de tirarem partido de poderosas plataformas de inovação digital, potenciando a formação e comunidades de programadores e investigadores, ao mesmo tempo que abraçam tecnologias que estão a atingir o seu ponto de maturidade e adoção alargada, como a cloud partilhada, a Inteligência Artificial, as tecnologias compostas vocacionadas para aplicações, o blockchain, e a crescente variedade de equipamentos conectados e robôs.

A digitalização em Portugal

Apesar da execução de projetos digitais e dos progressos realizados, a maioria das organizações nacionais não estão a avançar ao mesmo ritmo que as grandes congéneres internacionais.

Num primeiro estudo da IDC sobre a maturidade da transformação digital das organizações, datado de 2015, aproximadamente 22% das organizações norte-americanas encontravam-se numa fase de transformação digital próxima da plenitude, versus 15% em Portugal. Já os resultados deste ano indicam que nos EUA, 34% das organizações se encontram numa fase avançada, versus apenas 19% em Portugal.

Estes dados representam uma divergência no crescimento face aos congéneres norte-americanos e, consequentemente, um afastar do primeiro escalão das economias mais competitivas neste domínio. Avaliada percentualmente, esta alteração é ainda mais evidente e preocupante. Neste contexto, a forma como os processos de transformação digital estão a decorrer é um fator crítico para o seu sucesso. Criar competências, definir estratégias e testar diversos caminhos alternativos para este admirável mundo novo é essencial para assegurar um lugar no competitivo e restrito grupo dos líderes da digitalização.

Por: Gabriel Coimbra, country manager da IDC Portugal

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