A tecnologia e a sustentabilidade no nosso planeta

A luta pela sustentabilidade de um planeta que cada vez está mais cinzento, triste e doente tem sido o maior desafio da humanidade. Apesar de, infelizmente, predominar a ignorância e a ingenuidade em grande parte da população de que o planeta suporta todos os males humanos, não podemos deixar de acreditar que há uma luz verde, viva, que começa a brilhar para os que cuidam da Terra e que se acende graças a alguns princípios emocionais, que são a esperança e o amor. Esta esperança tem uma força motriz que assenta em três importantes vetores que, século após século, continuam a mudar a história do nosso planeta. São eles a Ciência, a Tecnologia e a Inovação.

Stephen Hawkins dizia: “However bad life may seem there is always something you can do and succeed at. Where there’s life, there’s hope”. Nós, seres humanos, somos o denominador comum dos vetores descritos. Somos o dínamo, o centro de produção de conhecimento e essa premissa é o nosso maior trunfo para que, juntos, possamos inverter o sentido do jogo. Temos em nosso poder a capacidade de desenvolver estratégias e ferramentas necessárias para viver ao longo do século XXI, deixando para os nossos filhos e gerações vindouras um mundo melhor, com soluções mais sustentáveis e tecnológicas. Soluções que significam respeito pelo planeta – como quem diz pela Vida.

A ciência, a tecnologia e a inovação desempenham um papel crítico na aceleração para um modo sustentável de desenvolvimento, abrindo a porta a um novo paradigma tecnológico-ambiental. Esta dicotomia não pode, hoje, ser desvalorizada, quando o principal driver de influência positiva para a evolução da competitividade de um país é a tecnologia e a sua aplicação a modelos de negócio úteis, replicáveis e sustentáveis. Esta é a base para o novo crescimento económico, é a chave do futuro de uma sociedade competitiva de que todos nos podemos orgulhar.

Atualmente, a ambição e urgência são cada vez maiores, e duas das maiores tendências para a proteção do meio ambiente são a captação de energia através de fontes naturais como o sol, o vento, ou o mar.

Em 2010, há quase dez anos, o CIVITAS – um projeto promovido e financiado pela União Europeia e que pretende fomentar políticas para “um transporte mais limpo e melhor” na cidade – apresentou o conceito de autocarros ultraleves, que gastam menos energia nas cidades do Funchal, Porto e Coimbra.

Em 2016, ao largo da Ilha do Pico, nos Açores, foi instalada a primeira central no mundo (ainda em fase de protótipo) a produzir eletricidade a partir da energia das ondas, de uma forma regular. O futuro deste tipo de produção elétrica reside em centrais offshore, um formato no qual Portugal tem um potencial elevado. A meta estabelecida é a de que, até 2025, cerca de 20% da eletricidade consumida no país tenha origem na energia de ondas e marés. Para além da energia das ondas e da imensa fonte de alimentação, o oceano é também o maior coletor de energia solar que existe, absorvendo uma quantidade energética térmica equivalente à contida em 250 bilhões de barris de petróleo. As tecnologias OTEC (Ocean Thermal Energy Conversion) convertem esta energia contida nos oceanos em eletricidade usando a diferença de temperatura entre a superfície da água, que é quente, e o frio no fundo do oceano.

Há diversas inovações tecnológicas que podem colaborar para a implementação de novas formas de produção e construir formas de desenvolvimento sustentável. O caso dos carros elétricos, a emitir menos CO2, a aposta nas Smart Cities, a economia partilhada (de carro, casas, bicicletas, roupas), a Internet of Things. A IoT pode trazer maior eficiência para a indústria, contribuindo para a construção do que chamamos Indústria 4.0. Esse conceito considera as principais inovações tecnológicas como parte dos processos de produção industrial. Por exemplo, é possível interligar e configurar máquinas para que sinais de perda de produtividade ou falhas operacionais sejam percebidos de forma antecipada, o que introduz otimização de processos, maior produtividade e eliminação de falhas.

Em Portugal e na agricultura há imensos projetos onde a aplicação da tecnologia, ciência e inovação permitem uma melhor e maior sustentabilidade da agricultura nacional. As iniciativas são diversas: o Projeto Qualimilho, que visa a garantia da qualidade e a segurança na fileira nacional do milho; o Projeto MilkEE, que explora a eficiência no uso de recursos nas explorações leiteiras e oportunidades de simbiose com o setor florestal; e a integração no Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação (CoLAB MORE) de atividades de I&D nas “tecnologias limpas” ligadas à agricultura, nomeadamente na implementação de sistemas de automação através de processos mais limpos, eficientes e inteligentes.

Be the change that you wish to see in the world”, dizia Mahatma Gandhi. A mudança no mundo começa também nas nossas casas, um exemplo prático para esta micro revolução é a criação de pequenos jardins nos locais onde vivemos. As plantas reduzem o calor, absorvem o CO2 e libertam oxigénio.

Todas estas novidades representam alguns dos mais importantes avanços das tecnologias do meio ambiente que vão permitir viver num mundo mais verde, com energia sustentável para todos. O modelo tradicional de desenvolvimento alimentado por combustíveis fósseis tem de desacelerar e gradualmente terminar, uma vez que acabará por levar a uma insegurança energética e a prováveis guerras por recursos. A forma de contornar esta verdade inconveniente é moldar um modelo alternativo de desenvolvimento. Governos e países deveriam investir em plataformas de desenvolvimento de produção de energia verde, uma vez que estas dão garantias de uma sustentabilidade económica e energética a longo prazo. Além da sustentabilidade, este crescimento verde oferece boas perspetivas de inclusão social, uma vez que quase todas as fontes renováveis de energia iriam gerar novos empregos e desenvolvimento de infraestruturas nas comunidades onde se inserem.

Estima-se que em 2050 existam 9,7 mil milhões de habitantes, o que exigirá um consumo de energia 60% superior ao que temos atualmente. Este é um cenário preocupante, onde a tecnologia e as alternativas energéticas assumem um papel de protagonismo. Passa a ser imperativo minimizar, ou mesmo acabar, com a produção poluente de energia e ter a noção de que os recursos naturais são limitados e que existem problemas ambientais muito nocivos para a qualidade de vida dos seres vivos.

Por: Pedro Matias, presidente do ISQ

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