A minha mamã não é uma extraterrestre

Creio que foi o Warren Buffett que, a propósito da falta de mulheres na sua área no mercado de trabalho, disse uma vez que a vida dele tinha sido fácil, só teve de competir com metade da humanidade. A Kerrine Bryan, uma engenheira eletrotécnica britânica que faz projetos energéticos em Nova Iorque, decidiu ajudar a que a outra metade entre na competição desde cedo. Na sua empresa trabalha sobretudo mulheres engenheiras. Apesar disso, continua a sentir que os clientes, para além do facto de aquele papel ser exercido por uma mulher, estranham que seja low-profile e que não tenha a personalidade dominadora que, sabe-se lá porquê, estão à espera de encontrar. É a primeira pessoa licenciada na família dela. Quando ainda estudava na universidade ia às escolas locais ajudar os alunos em projetos tecnológicos e falar-lhes dos seus planos para ser engenheira. Deu de caras com ideias preconcebidas naquelas idades muito novas. Meninas e meninos de sete anos achavam que engenharia era uma profissão para homens.

Em 2015, lançou o primeiro livro ilustrado para contar às crianças que elas, meninas e meninos, podiam ser o que quisessem, na esperança de desde cedo lhes retirar a pressão de escolherem uma profissão que não desafiasse preconceitos e fosse certa para o seu sexo. Para que não se autoexcluam, nem aceitem a exclusão como um fatalismo.

Não são livros que falam sobre a excecionalidade, porque os há maravilhosos, mas estes são livros que apelam à normalidade de se ser qualquer coisa e assim chegar à liderar qualquer área. Escreveu A minha mamã é engenheira, A minha mamã é cientista, estão a sair O meu papá é enfermeiro e O meu papá é assistente social.

Impulsionada por uma tenente coronel da Real Academia Militar de Sandhurst, lançou há um ano A minha mamã é militar. E agora a primeira mulher que comanda a Brigada de Incêndio de Londres quer desafiá-la para escrever A minha mamã é bombeira. O Financial Times descobriu-a e está a ajudar a “rebentar com os estereótipos” ao informar os adultos que o leem sobre os livros. A revista Líder também. Se os derem cedo às crianças, ajudam a que o estereótipo não se forme e cedo saberão que todas as opções profissionais são possíveis para todos.

Por: Sandra Clemente, jurista

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