A liderança emocional na gestão do talento

Durante muito tempo as emoções foram encaradas como irrelevantes em contexto organizacional e considerava-se até que, para se ser um bom líder, o cérebro emocional devia ficar em casa e, para o escritório, trazer apenas o cérebro racional.

Felizmente, com o conceito de inteligência emocional a afirmar-se em todos processos organizacionais, reconhecem-se hoje os benefícios de uma liderança emocional na gestão do talento.

Sabemos hoje, que as emoções positivas tem efeitos no desempenho, tornando os colaboradores mais produtivos, motivados e saudáveis. A partilha de emoções positivas, de estados de espírito e de histórias emocionais, promovem a coesão das equipas, com o líder com um papel chave no contágio emocional positivo nas equipas.

São vários os estudos que sugerem que o líder é quem mais influencia e condiciona o contágio emocional de uma equipa, desempenhando um papel central na determinação das emoções comuns. Os líderes são observados com mais atenção do que as outras pessoas do grupo e os membros da equipa tendem a considerar a reação emocional do líder como a mais válida, moldando a sua própria reação à do líder, especialmente em situações ambíguas.

Se os líderes fazem a “gestão do significado” das situações, pelo grupo, apresentando interpretações e uma forma de reagir sobre elas, aquilo que o líder sente e faz leva a equipa a espelhar os seus sentimentos e ações.

Um líder que ri e cria um clima descontraído, coloca a sua inteligência emocional ao serviço da gestão de talento, promove a coesão da equipa e um grupo coeso é um grupo que resulta.

Um líder que contagia, que seja líder emocional, tem um efeito palpável sobre o cérebro emocional de quem está à sua volta, é um Íman Humano!

Estes líderes com forte inteligência emocional atraem pessoas com talento, pelo prazer de trabalhar na sua companhia e têm mais facilidade em reter os seus colaboradores, enquanto que os líderes que transmitem sinais negativos (irritáveis, dominadores, frios) afastam as pessoas.

A tese de que um líder precisa de competências sociais não é de todo nova, no entanto os estudos mais recentes levam as competências necessárias mais além, salientando que muitos gestos do líder (empatia, sintonia com o humor dos outros, etc.) afetam literalmente o espírito da equipa que com ele trabalha.

Uma boa liderança começa a ter menos a ver com o domínio de situações, ou até com o domínio de competências sociais, e mais com o cultivo de um genuíno interesse e do talento para despertar sentimentos positivos na equipa e nas pessoas cuja cooperação e apoio o líder precisa.

Um líder que espera obter o melhor da sua equipa deve continuar a ser exigente — mas de uma forma que crie um clima positivo na equipa. Sozinha, a velha tática de incentivar e punir não faz sentido e os sistemas tradicionais de incentivo, simplesmente não bastam para que o seguidor dê o melhor de si. Para que os líderes sejam verdadeiros gestores de talento é importante desenvolvermos a capacidade de partilha de estádios emocionais positivos e de contágio emocional positivo. Os grandes líderes emocionam-nos e inspiram o melhor que há em nós.

Por: Liliana Silva, diretora de RH da Milestone

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