A gestão de topo e o desafio dos avanços tecnológicos


O crescimento económico global deverá manter a dinâmica até aqui registada nos próximos 12 meses, segundo estudos recentes. Em Portugal, existem boas perspetivas para a conjuntura económica do país ao longo deste ano, onde se prevê a continuação de um mercado dinâmico. Da parte das empresas há uma enorme vontade em contratar este ano (82%) e cada vez menos profissionais qualificados (76%) a procurarem proativamente um novo projeto, segundo um recente estudo da Hays. Um dos principais desafios que os empregadores se depararam neste último ano foi a dificuldade na atração de talento, que tem vindo a aumentar. 65% dos empregadores afirmam que tiveram de recrutar pessoas pouco adequadas às oportunidades de emprego, e 41% desistiram de concluir processos de recrutamento. Poderemos estar, portanto, perante um sinal clássico de custos indiretos de más escolhas de recrutamento.

O recrutamento e seleção na área de top management não é tarefa fácil. Em 2019, é expectável que os gestores de topo estejam cada vez mais recetivos à mudança, aos novos métodos de trabalho, à integração e conhecimento das novas ferramentas tecnológicas, ao conhecimento dos desafios globais e priorizar o desenvolvimento das novas gerações. Estes são alguns aspetos de elevada importância para a contratação deste tipo de perfil.

Se já existe uma enorme dificuldade em encontrar gestores de topo com as aptidões e experiência necessárias para a realidade atual, no futuro a questão só se tornará mais desafiante com os avanços tecnológicos, particularmente com a Inteligência Artificial e a automatização.

O perfil de gestor de topo tem de estar apto para liderar na era da transformação digital. Para além do acompanhamento da evolução tecnológica, este tipo de perfil tem a missão de acompanhar as futuras gerações. Acredita-se que, até 2020, teremos cinco gerações a trabalhar lado a lado e, por isso, é necessário foco para antecipar eventuais necessidades, e isso pode significar uma mudança na forma como tradicionalmente se trabalha. Estas gerações precisam de ver os líderes como mentores, alguém em quem poderão confiar e admirar.

A esperança média de vida é cada vez maior e prevê-se que se tenha de trabalhar mais tempo, possivelmente até aos 70 ou 80 anos. Por isso, mudar de emprego com mais regularidade, mudar de setor, voltar para a universidade ou tirar um tempo para viajar pelo mundo, irá ser a norma para muitos países e uma necessidade para este tipo de perfil em específico.

Muitos destes perfis têm uma vasta experiência e terão passado pelo período de crise que Portugal atravessou, o que se traduziu, na maior parte dos casos, em momentos de interrupções na carreira. Para estes profissionais, elaborar o CV e apresentá-lo às empresas, não é tarefa fácil. É necessário garantir que incluem essa informação nos currículos, destacando nesses períodos momentos de formação, voluntariados e êxitos alcançados de uma forma sucinta, sem ocultar aspetos relevantes. Desta forma, o empregador, ao analisar o currículo, irá perceber de forma clara todo o seu percurso.

Por fim, é essencial que os gestores de topo tenham uma visão global, que sejam estratégicos e que consigam implementar práticas localmente. É urgente que estejam cada vez mais informados e sensibilizados sobre as tendências e desafios globais, como as tecnologias digitais, a situação macro-económica do país e as competências mais requisitadas pelas empresas.

Por: Cláudia Machado, associate da Hays Portugal

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