A adversidade e a perspetiva “Kintsukuroi”

Todos os dias, no contexto organizacional, somos polvilhados de inúmeros desafios e oportunidades de novas realizações. As tarefas que cada colaborador realiza, são muitas vezes, revestidas de elevada exigência e expectativas de perfeição. Como se tudo fosse encadeado em movimentos perfeitos, quase mecânicos. Acontece que, como seres humanos que somos, essa noção de perfeição, apesar de desejada, é desfasada da realidade. E, nesse sentido, cada desafio acarreta, muitas vezes, o contacto com a adversidade, o obstáculo ou o contratempo. Mais, a adversidade é frequentemente conotada como algo negativo, algo que nos impede de atingir o resultado e uma fonte de ansiedade e stress. No entanto, para que esta relação com a adversidade seja mais simbiótica no caminho do sucesso, algumas considerações:

Não assuma a adversidade como sinónimo de algo errado: Muitas vezes existe a tentação de perspetivarmos a adversidade como sinal de que as coisas não estão a ser feitas corretamente ou que algo nos está a escapar do controlo. A adversidade muitas vezes é inevitável e surge na sequência de fatores externos, imprevisíveis e incontroláveis.

Não negue a adversidade: Sempre que estamos a sair da nossa zona de conforto ou a entrar no campo da novidade ou do contacto com o inesperado, o encontro com a adversidade é uma forte probabilidade. Encare-a de frente e assuma o desconforto. Só assim poderá ser impelido para a sua resolução e não ficar estagnado.

Adequação das expectativas: É igualmente importante estarmos cientes da inevitabilidade de nos depararmos com o desconforto de ter de lidar com novas adversidades. Apesar de podermos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que isso seja menos provável, não se foque na expectativa irrealista que não terá de lidar mais com a adversidade. Se isso acontecer, é um sinal que deve refletir.

A adversidade como uma oportunidade: Sempre que sentir algum desconforto, ou dificuldade, é um sintoma que está a ultrapassar novos limites pessoais e que está em pleno desenvolvimento.

Assim, a adversidade pode ser entendida à luz da metáfora da perspetiva japonesa kintsukuroi, que desafia o princípio da beleza, ao consertar cerâmica, preenchendo as fendas ou a ligação das peças com ouro. Desta forma, a sua vida profissional, tal como a cerâmica, pode ser bonita e elegante. Mas são as adversidades que nos moldam para novos caminhos, quando ao quebrar as preenchemos com o ouro da nossa resiliência, fazendo dessa mesma adversidade um veículo de aprendizagem e de novas perspetivas, ganhando nova vitalidade.

Por: João Paulo Petiz, HR consultant da Your People

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