2019

No dia da tomada de posse como primeiro-ministro do Canadá, a equipa que preparava Trudeau para responder à imprensa aconselhou-o a lembrar só o ano em que estavam para responder à pergunta sobre a escolha de um governo paritário. Trudeau proferiu assim uma das suas tiradas com mais repercussão internacional: “paritário porquê?”, “porque estamos em 2015”.

Ursula Von der Leyen, a primeira mulher a presidir ao executivo comunitário, prometeu que este teria paridade total. No dia da sua votação para chefe da Comissão não usou o ano em que estamos para justificar a sua opção, mas também o podia ter feito. Em vez disso escolheu outra justificação igualmente quase lapalissiana: “Representamos [as mulheres] metade da população, por isso queremos a nossa fatia justa”.

E assim chegamos aos dias de hoje em que, enquanto escrevo, as escolhas dos países para comissários europeus recaíram sobre 13 homens e 12 mulheres, faltando ainda dois candidatos. O resultado mais paritário possível será 14-13. Provavelmente, nem todos os nomeados acabarão confirmados como comissários europeus, mas a exigência da nova presidente e a vontade dos países de terem pastas mais relevantes juntaram-se para chegarmos a este resultado em 2019. Portugal, como se sabe, faz parte dos países que nomearam uma mulher, Elisa Ferreira.

Margrethe Vestager, a atual poderosa Comissária para a Concorrência, que deverá continuar como comissária europeia nomeada pela Dinamarca, diz que só é preciso começar a fazer para as coisas andarem no sentido que se escolhe.

Acabadas as férias, de volta ao trabalho, estas notícias da Comissão Europeia criam aquelas expectativas de ano novo que setembro, para além das saudades do descanso, é suposto criar.

Parece que Ursula Von der Leyen interpretou literalmente Max DePree, autor do Leadership is an art: “A primeira responsabilidade de uma líder é definir a realidade [neste caso, a paridade], a última é agradecer [também, neste caso, aos países que fizeram as nomeações] e no meio disto a líder é uma servidora [de todos os europeus]”.

Por: Sandra Clemente, jurista

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